sábado, 18 de setembro de 2010

Parvoniocracia

Sinceramente, eu não consigo perceber a atitude da “massa crítica” deste país.

A sério, não consigo.

Este país está de rastos, literalmente.

O problema está diagnosticado há muitos governos. Não é de agora. A despesa pública é o cancro deste país. Estamos todos de acordo.

Também estaremos (acho eu) de acordo quando se diz que não há governo PS ou PSD que consiga, por mais que “ameace”, reduzir essa despesa pública, portanto, o problema não é da cor: é da incapacidade geral.

Isto dito assim, de forma tão abstracta como esta, até parece inofensivo.

Mas quando me dizem e redizem que a cada hora que passa, o estado gasta 2,5 ME, as coisas passam do abstracto ao ordinário. Ao obsceno.

Governo após governo, seja laranja, seja rosa, seja uma mistura como faz ali na Avenida, o Tomé no seu quiosque (com os gelados), estamos sempre mais ou menos ao nível do quase afogamento.

Admirem-se que, um dia destes, os portugueses, que já foram emigrantes à força toda e que depois se tornaram receptores de imigrantes sem saber como, admirem-se, dizia eu, que este país, assim de repente, este povo, que tem aturado a maluqueira destes dois maiores partidos que têm formado governo, admirem-se, insisto, que o povo, o tal que “é sábio” na altura das eleições mas que no resto do ano é considerado burro, comece a desaparecer e a emigrar para outras paragens.

A sério.

É que “andamos” para aqui ocupados com assuntos menores, como revisões constitucionais com propostas que afinal é melhor não existirem, com seleccionadores temporários para o futebol nacional e para coisas do género e depois passam os dias e andamos para aqui pseudo-ocupados com o acessório, enquanto o essencial nos escapa. Parece propositado. E eu não acho piada nenhuma ao “entretenimento” que a comunicação social nacional tem feito, quando deveria estar a produzir notícias. Notícias a sério. A put@ da sillly season prolongou-se demais, este ano. E parece que continua por aí.

Só espero que não nos tornemos todos silly, acabando por fazer do ano inteiro, uma única season.

(Qualquer dia emigro)