sexta-feira, 8 de abril de 2016

20160408 CVU FLW HOR PDL

Peças soltas duma viagem às Flores e Corvo

quinta-feira, 7 de abril de 2016

From Flores to Corvo, by boat

AZORES - Flores landscape

terça-feira, 5 de abril de 2016

"Cheirinho" a Flores

Flying - PDL HOR FLW

domingo, 3 de abril de 2016

Surf Milicias

sábado, 2 de abril de 2016

AZORES - Flying from PIX to PDL

Flying from PDL to PIX

domingo, 20 de março de 2016

Santa Bárbara session

sexta-feira, 18 de março de 2016

Checking the surf spot

quinta-feira, 17 de março de 2016

Surf em São Roque

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Fases

De que servem as palavras, quando aqueles que as dizem não as honram?

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

17:14, 19:52 e os minutos assim afiadinhos

O gajo que faz os horários dos comboios é cá dos meus.

Pronto, actualmente não será um gajo, mas de início era de certeza e foi ele, garantidamente, quem instituiu o hábito e a regra que diz “cá nos horários dos comboios não há essas mariquices das horas redondas, dos zero, cinco, dez ou quinze minutos”.
Instituída a regra (por este herói desconhecido, incógnito ser de grande bravura, estou certo), aplicada ao longo de tantos anos com comboios e sem computadores, é mais do que óbvio que a era da informática nada poderia alterar nesta matéria, sob pena de motivar violenta e justa rebelião de desfecho difícil de imaginar.
E pronto, chegámos aos dias de hoje, onde raramente vemos alguém dar a devida e merecida utilização aos minutos (são tantos) que vivem entre os redondos e anafados zeros e cincos (tão poucos) do nosso tempo.
A excepção (não digo que única) vive nos horários dos comboios.
Quem compra um bilhete para as 17:14 acaba por dar conta de que nunca ou muito raramente lhe atribui alguma importância (ao 14, claro).
E quem fala no 14, fala no 52 e nos outros todos.
Menos, claro, nos zeros e cincos.
Deviam dar mais importância a estes minutos afiadinhos.
Vivê-los mais e melhor.
Falar mais deles, sugeri-los como horários para encontros, conversas, vidas.

Das boas.

domingo, 4 de agosto de 2013

Um país apanha-bolisticamente bem-educado

Tenho a ligeiríssima impressão que já li algo sobre isto.

Não sei onde nem quando, nem que abordagem seguiu o seu autor, de quem não me lembro, mas uma coisa é certa: a conclusão, embora escrita por outras palavras, era idêntica.
Temos um povo bem-educado. Na praia.
O ano passa devagar e mal-humorado, cheio de problemas e irritações.
Filas no trânsito, buzinadelas, bichas interminavelmente longas e esguias, palavrões, toques, empurrões mal disfarçados e chatices, muitas chatices.
Depois chega o verão e o povo, aos magotes, vai à praia.
E chegado à praia, transfigura-se.
Acreditem.
Façam a experiência: vão à praia e levem uma bola.
Joguem à bola e deixem-na, voluntária ou involuntariamente, escapar.
Garanto-vos que à vossa volta está um povo com forte queda para apanha-bolas.
Simpáticos, sorridentes e orgulhosos apanha-bolas.
Gente que num pequeno momento, incha de orgulho e enquanto devolve e não devolve a bola, transparece nas faces uma expressão de “vê o quão simpático, solidário, sorridente e bem-educado eu sou?”.
E segue a sua vida, embora sempre pronto a dar mais um passinho ou dois, desviando-se mesmo do caminho inicialmente traçado, para devolver a bola uma segunda vez e desta, acrescentando um ar de compreensão superior.
Isto passa-se na praia.

É pena que o que se passa na praia, fique apenas pela praia.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Crónica do "é o que há"

Silva chegou à sala e disse (depois de muito falar):
- Rapazes, vão ter que brincar juntos durante um ano!
Os três rapazes da primeira fila escancaram as bocas em silencioso uníssono, enquanto os 10 milhões (exagero, é certo) que actualmente constituem a sombra do que já foram, irromperam num burburinho de exclamações envergonhadas, sendo que pelo meio foi possível descortinar uma série de interjeições e atoardas que não irei aqui (e agora) relatar.
Antes de qualquer outra reacção da parte dos rapazes, Silva reforçou:
- É só um ano. Nem precisam brincar, mas ao menos vão ter que fingir! É só até às visitas irem embora!
- Viste o que fizeste? Viste? – disse Coelho, olhando indignadíssimo para Portas.
- Eu já disse que só brinco sozinho! - advertiu, quase ao mesmo tempo, Seguro.
- Mas nós arranjámos um arranjinho arranjável! – bradou Portas, após ter rosnado baixinho um “logo agora que eu tinha conseguido, à força, convencer o outro…”.
- Eu não volto atrás: já disse que só brinco sozinho, porque é sozinho que eu sei que sei brincar! – insistiu Seguro.
- Oh homem, faz como eu: não voltava atrás, não voltava atrás e vê lá tu bem onde estou (ou pelo menos julgava que estava)! – aconselhou Portas a Seguro.
- E eu que ganhei isto há dois anos, como é que fico? Com estes dois às costas? Parece impossível! – rugiu Coelho (estranha imagem esta, um coelho a rugir).
- Não brinco, já disse – sentenciou Seguro – quero ver agora o que é que o senhor Silva faz! Não brinco, não brinco e não brinco! Em conjunto, nem pensar!
- Vocês não me apertem - disse Silva, meio em jeito de ameaça, meio em jeito de não saber o que dizer mais…
- Como estavam, não ficam, porque desataram às demissões. Como propuseram, não ficam porque agora quem não quer, sou eu. E como queria Seguro, também não quero, porque não. Agora, ou é como eu quero ou…
- Ou? – indagaram os três rapazes numa voz só.
- Ou?
- Ou o quê? – perguntou Silva.
- Hummm, onde é que eu ia, mesmo? – disse, com arpejos senis…

sábado, 19 de janeiro de 2013

O poder do capital

Fui às compras.
Passei na prateleira da fruta e olhei para as uvas.

Uma das uvas olhou para mim e disse-me “não me compres. Tu nunca gostaste de mim.”
Tinha 10 cêntimos perdidos num bolso e comprei a uva.
Cheguei a casa e pus a uva em lugar de destaque na cozinha.
Agora olho para ela, de quando em vez, só para vê-la apodrecer.

Os nomes da educação

Sentado numa esplanada a ler o jornal, dou por mim a ser auditivamente vandalizado por uma irritante criancinha aos berros e aos saltos e pelas advertências éticas e morais da sua interveniente ( mas sempre sentada) mamã: "oh Martim" isto, "oh Martim" aquilo.

Alguém, num qualquer ano que passou estando eu possivelmente distraído, noticiou que aos filhos basta chamar-lhes Martim, Afonso ou qualquer coisa do género, para garantir a boa educação?

domingo, 30 de dezembro de 2012

(deixemo-nos de) Tretas

Chegam-se os fins de ano e chegam-se mais perto as memórias do que passou desde que cortámos com o ano anterior e dissemos que “agora é que é” e “é desta que mudo” e “é desta que deixo de…” ou “é agora que começo a…”.

Chegam-se sempre (até mais não ver) os fins de ano e é sempre isto.
Ganhamos momentaneamente novo alento e achamos que temos nova força, uma força revigorada para 365 (ou 6) dias, que nunca se gasta, que tem sempre a mesma força. Uma força sempre cheia de força.
E no entanto, passados alguns dias do dia da força cheia de força, já nos esquecemos da força toda que tínhamos.
Passou-nos. Foi-se.
Força? Qual força?
É deixarmo-nos de tretas e talvez mude alguma coisa. 

sábado, 27 de outubro de 2012

Do alto do meu metro e trinta e seis


Um dia, espreitei para o mar, do cimo de uma encosta com mais de 300 metros.
Senti-me minúsculo.
Experimentei um nível de adrenalina que até então não conhecia.
Não sei, ao certo, que idade tinha.
Sei que era um miúdo.
10 anos?
Não sei.
Com 10 anos, tinha um metro e trinta e seis centímetros de altura.
Minorca.
Hoje tenho um metro e setenta e dois (ou três, dependendo das dores nas costas e no pescoço, causados pelos prolapsos numas tais de vértebras “C” não sei das quantas que tenho nesta coluna que me faz andar na vertical).
Quando me debrucei da tal encosta, atirei pedras que junto a mim eram enormes e que ao cair, foram ficando mais pequenas e mais pequenas ainda, até se transformarem num pontinho branco, lá em baixo, no mar azul dos Açores, aquele azul que até fere quem olha para ele sem saber ao que vai.
Debrucei-me várias vezes no “parapeito” dessa tal encosta.
Sempre com vontade de ali estar, sempre inquieto para olhar lá para baixo.
Era um miúdo.
Hoje em dia, do alto da idade que tenho e dos medos acumulados por ter quase 40 anos, dou por mim, inúmeras vezes, deitado na cama a olhar para o tecto e a pensar “que sorte tive eu: a encosta não desabou”.
Penso nisso muitas vezes, talvez vezes demais.
Incomoda-me, aliás, pensar nisso tão amiúde.
Mas penso.
E tenho saudades do meu metro e trinta e seis.