quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Fases

De que servem as palavras, quando aqueles que as dizem não as honram?

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

17:14, 19:52 e os minutos assim afiadinhos

O gajo que faz os horários dos comboios é cá dos meus.

Pronto, actualmente não será um gajo, mas de início era de certeza e foi ele, garantidamente, quem instituiu o hábito e a regra que diz “cá nos horários dos comboios não há essas mariquices das horas redondas, dos zero, cinco, dez ou quinze minutos”.
Instituída a regra (por este herói desconhecido, incógnito ser de grande bravura, estou certo), aplicada ao longo de tantos anos com comboios e sem computadores, é mais do que óbvio que a era da informática nada poderia alterar nesta matéria, sob pena de motivar violenta e justa rebelião de desfecho difícil de imaginar.
E pronto, chegámos aos dias de hoje, onde raramente vemos alguém dar a devida e merecida utilização aos minutos (são tantos) que vivem entre os redondos e anafados zeros e cincos (tão poucos) do nosso tempo.
A excepção (não digo que única) vive nos horários dos comboios.
Quem compra um bilhete para as 17:14 acaba por dar conta de que nunca ou muito raramente lhe atribui alguma importância (ao 14, claro).
E quem fala no 14, fala no 52 e nos outros todos.
Menos, claro, nos zeros e cincos.
Deviam dar mais importância a estes minutos afiadinhos.
Vivê-los mais e melhor.
Falar mais deles, sugeri-los como horários para encontros, conversas, vidas.

Das boas.

domingo, 4 de agosto de 2013

Um país apanha-bolisticamente bem-educado

Tenho a ligeiríssima impressão que já li algo sobre isto.

Não sei onde nem quando, nem que abordagem seguiu o seu autor, de quem não me lembro, mas uma coisa é certa: a conclusão, embora escrita por outras palavras, era idêntica.
Temos um povo bem-educado. Na praia.
O ano passa devagar e mal-humorado, cheio de problemas e irritações.
Filas no trânsito, buzinadelas, bichas interminavelmente longas e esguias, palavrões, toques, empurrões mal disfarçados e chatices, muitas chatices.
Depois chega o verão e o povo, aos magotes, vai à praia.
E chegado à praia, transfigura-se.
Acreditem.
Façam a experiência: vão à praia e levem uma bola.
Joguem à bola e deixem-na, voluntária ou involuntariamente, escapar.
Garanto-vos que à vossa volta está um povo com forte queda para apanha-bolas.
Simpáticos, sorridentes e orgulhosos apanha-bolas.
Gente que num pequeno momento, incha de orgulho e enquanto devolve e não devolve a bola, transparece nas faces uma expressão de “vê o quão simpático, solidário, sorridente e bem-educado eu sou?”.
E segue a sua vida, embora sempre pronto a dar mais um passinho ou dois, desviando-se mesmo do caminho inicialmente traçado, para devolver a bola uma segunda vez e desta, acrescentando um ar de compreensão superior.
Isto passa-se na praia.

É pena que o que se passa na praia, fique apenas pela praia.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Crónica do "é o que há"

Silva chegou à sala e disse (depois de muito falar):
- Rapazes, vão ter que brincar juntos durante um ano!
Os três rapazes da primeira fila escancaram as bocas em silencioso uníssono, enquanto os 10 milhões (exagero, é certo) que actualmente constituem a sombra do que já foram, irromperam num burburinho de exclamações envergonhadas, sendo que pelo meio foi possível descortinar uma série de interjeições e atoardas que não irei aqui (e agora) relatar.
Antes de qualquer outra reacção da parte dos rapazes, Silva reforçou:
- É só um ano. Nem precisam brincar, mas ao menos vão ter que fingir! É só até às visitas irem embora!
- Viste o que fizeste? Viste? – disse Coelho, olhando indignadíssimo para Portas.
- Eu já disse que só brinco sozinho! - advertiu, quase ao mesmo tempo, Seguro.
- Mas nós arranjámos um arranjinho arranjável! – bradou Portas, após ter rosnado baixinho um “logo agora que eu tinha conseguido, à força, convencer o outro…”.
- Eu não volto atrás: já disse que só brinco sozinho, porque é sozinho que eu sei que sei brincar! – insistiu Seguro.
- Oh homem, faz como eu: não voltava atrás, não voltava atrás e vê lá tu bem onde estou (ou pelo menos julgava que estava)! – aconselhou Portas a Seguro.
- E eu que ganhei isto há dois anos, como é que fico? Com estes dois às costas? Parece impossível! – rugiu Coelho (estranha imagem esta, um coelho a rugir).
- Não brinco, já disse – sentenciou Seguro – quero ver agora o que é que o senhor Silva faz! Não brinco, não brinco e não brinco! Em conjunto, nem pensar!
- Vocês não me apertem - disse Silva, meio em jeito de ameaça, meio em jeito de não saber o que dizer mais…
- Como estavam, não ficam, porque desataram às demissões. Como propuseram, não ficam porque agora quem não quer, sou eu. E como queria Seguro, também não quero, porque não. Agora, ou é como eu quero ou…
- Ou? – indagaram os três rapazes numa voz só.
- Ou?
- Ou o quê? – perguntou Silva.
- Hummm, onde é que eu ia, mesmo? – disse, com arpejos senis…

sábado, 19 de janeiro de 2013

O poder do capital

Fui às compras.
Passei na prateleira da fruta e olhei para as uvas.

Uma das uvas olhou para mim e disse-me “não me compres. Tu nunca gostaste de mim.”
Tinha 10 cêntimos perdidos num bolso e comprei a uva.
Cheguei a casa e pus a uva em lugar de destaque na cozinha.
Agora olho para ela, de quando em vez, só para vê-la apodrecer.

Os nomes da educação

Sentado numa esplanada a ler o jornal, dou por mim a ser auditivamente vandalizado por uma irritante criancinha aos berros e aos saltos e pelas advertências éticas e morais da sua interveniente ( mas sempre sentada) mamã: "oh Martim" isto, "oh Martim" aquilo.

Alguém, num qualquer ano que passou estando eu possivelmente distraído, noticiou que aos filhos basta chamar-lhes Martim, Afonso ou qualquer coisa do género, para garantir a boa educação?

domingo, 30 de dezembro de 2012

(deixemo-nos de) Tretas

Chegam-se os fins de ano e chegam-se mais perto as memórias do que passou desde que cortámos com o ano anterior e dissemos que “agora é que é” e “é desta que mudo” e “é desta que deixo de…” ou “é agora que começo a…”.

Chegam-se sempre (até mais não ver) os fins de ano e é sempre isto.
Ganhamos momentaneamente novo alento e achamos que temos nova força, uma força revigorada para 365 (ou 6) dias, que nunca se gasta, que tem sempre a mesma força. Uma força sempre cheia de força.
E no entanto, passados alguns dias do dia da força cheia de força, já nos esquecemos da força toda que tínhamos.
Passou-nos. Foi-se.
Força? Qual força?
É deixarmo-nos de tretas e talvez mude alguma coisa. 

sábado, 27 de outubro de 2012

Do alto do meu metro e trinta e seis


Um dia, espreitei para o mar, do cimo de uma encosta com mais de 300 metros.
Senti-me minúsculo.
Experimentei um nível de adrenalina que até então não conhecia.
Não sei, ao certo, que idade tinha.
Sei que era um miúdo.
10 anos?
Não sei.
Com 10 anos, tinha um metro e trinta e seis centímetros de altura.
Minorca.
Hoje tenho um metro e setenta e dois (ou três, dependendo das dores nas costas e no pescoço, causados pelos prolapsos numas tais de vértebras “C” não sei das quantas que tenho nesta coluna que me faz andar na vertical).
Quando me debrucei da tal encosta, atirei pedras que junto a mim eram enormes e que ao cair, foram ficando mais pequenas e mais pequenas ainda, até se transformarem num pontinho branco, lá em baixo, no mar azul dos Açores, aquele azul que até fere quem olha para ele sem saber ao que vai.
Debrucei-me várias vezes no “parapeito” dessa tal encosta.
Sempre com vontade de ali estar, sempre inquieto para olhar lá para baixo.
Era um miúdo.
Hoje em dia, do alto da idade que tenho e dos medos acumulados por ter quase 40 anos, dou por mim, inúmeras vezes, deitado na cama a olhar para o tecto e a pensar “que sorte tive eu: a encosta não desabou”.
Penso nisso muitas vezes, talvez vezes demais.
Incomoda-me, aliás, pensar nisso tão amiúde.
Mas penso.
E tenho saudades do meu metro e trinta e seis.

domingo, 24 de junho de 2012

A formiga despropositada


Sentei-me no chão da cozinha para fumar um cigarro. Um costume da minha mulher, que adoptei.
Vi uma formiga a deambular sem sentido. Para lá e para cá. Uma formiga. Sem objectivos de vida, pelos vistos.
Dizem (sempre ouvi dizer) que as formigas são trabalhadoras incansáveis (nunca acreditei muito nisto).
É ridículo ver uma formiga a deambular, para cá e para, sem parecer saber para onde vai e o que vai fazer de si, da vida.
Irritou-me, a formiga deambulante.
Qual é a lógica, uma formiga sem objectivos de vida, sem propósito (logo, despropositada), uma formiga assim, sem saber para onde vai?
As formigas devem (sempre me disseram) andar para trabalhar, mas esta não. Andava como uma perdida.
Formiga parva.
Matei a formiga.
Menos uma formiga (deambulante) no mundo.
Temos pena.
Ou não.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Debaixo d'água - Arnaldo Antunes


Debaixo d'água tudo era mais bonito

Mais azul, mais colorido

Só faltava respirar

Mas tinha que respirar

Debaixo d'água se formando como um feto

Sereno, confortável, amado, completo

Sem chão, sem teto, sem contato com o ar

Mas tinha que respirar

Todo dia

Todo dia, todo dia

Todo dia

Todo dia, todo dia

Debaixo d'água por encanto sem sorriso e sem pranto

Sem lamento e sem saber o quanto

Esse momento poderia durar

Mas tinha que respirar

Debaixo d'água ficaria para sempre, ficaria contente

Longe de toda gente, para sempre no fundo do mar

Mas tinha que respirar

Todo dia

Todo dia, todo dia

todo dia

Todo dia, todo dia


Debaixo d'água, protegido, salvo, fora de perigo

Aliviado, sem perdão e sem pecado

Sem fome, sem frio, sem medo, sem vontade de voltar

Mas tinha que respirar

Debaixo d'água tudo era mais bonito

Mais azul, mais colorido

Só faltava respirar

Mas tinha que respirar

Todo dia

(só) Agora - Arnaldo Antunes

Agora que agora é nunca
Agora posso recuar
Agora sinto minha tumba
Agora o peito a retumbar
Agora a última resposta
Agora quartos de hospitais
Agora abrem uma porta
Agora não se chora mais
Agora a chuva evapora
Agora ainda não choveu
Agora tenho mais memória
Agora tenho o que foi meu
Agora passa a paisagem
Agora não me despedi
Agora compro uma passagem
Agora ainda estou aqui
Agora sinto muita sede
Agora já é madrugada
Agora diante da parede
Agora falta uma palavra
Agora o vento no cabelo
Agora toda minha roupa
Agora volta pro novelo
Agora a língua em minha boca
Agora meu avô já vive
Agora meu filho nasceu
Agora o filho que não tive
Agora a criança sou eu
Agora sinto um gosto doce
Agora vejo a cor azul
Agora a mão de quem me trouxe
Agora é só meu corpo nu
Agora eu nasco lá de fora
Agora minha mãe é o ar
Agora eu vivo na barriga
Agora eu brigo pra voltar
Agora
Agora
Agora

sábado, 2 de abril de 2011

Para quem gosta de poesia

Para quem gosta de poesia sem rodeios nem floreados. E não se choca ou indigna com a língua portuguesa.


Ó caralho! Ó caralho!

Quem abateu estas aves?
Quem é que sabe? quem é
que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira
é esta que em nós se vem
já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?

Ó caralho! Ó caralho!

Isto de a gente sorrir
com os dentes cariados
esta coisa de gritar
sem ter nada na goela
faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.

Ó caralho! Ó caralho!

Porque não vem o diabo
dizer que somos um povo
de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos
porque os filhos não são nossos
são produtos do acaso
desde o sangue até aos ossos.

Ó caralho! Ó caralho!

Um homem mede-se aos palmos
se não há outra medida
e põe-se o dedo na ferida
se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo
o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.

Ó caralho! Ó caralho!

Porque é que os poemas dizem
o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem
como facas aguçadas
cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte
é para certas camadas?

Ó caralho! Ó caralho!

Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.

Ó caralho! Ó caralho!

Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!
Ser-se cego surdo e mudo
entre gente sem cabeça
não é desgraça completa.
É como ser-se poeta
sem que a poesia aconteça.

Ó caralho! Ó caralho!

Nunca ninguém diz o nome
do silêncio que nos mata
e andamos mortos de fome
(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta
quando nos põem a pata.

Ó caralho! Ó caralho!

O melhor era fingir
que não é nada connosco.
O melhor era dizer
que nunca mais há remédio
para a sífilis. Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza.
Era melhor. Concerteza.

Ó caralho! Ó caralho!

Tudo são contas antigas.
Tudo são palavras velhas.
Faz-se um telhado sem telhas
para que chova lá dentro
e afogam-se os moribundos
dentro do guarda-vestidos
entre vaias e gemidos.

Ó caralho! Ó caralho!

Há gente que não faz nada
nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa
de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta
que os mortos berram à porta
dos vivos que estão calados.

Ó caralho! Ó caralho!
Já é tempo de aprender
quanto custa a vida inteira
a comer e a beber
e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer
que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.

Ó caralho! Ó caralho!

Ó caralho!
Joaquim Pessoa - Poema Temperamental

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Doce solidariedade

Como não ponho açúcar no café, estou a juntar pacotinhos dele (açúcar) para levar para o continente, daqui a dias.

Assim, calo a boca aos continentais que nos últimos dias têm dito que os açorianos não são solidários com o país, por causa da compensação salarial aos funcionários públicos regionais que ganham entre 1500 e 2000 euros.
É que para além dos cortes nos salários, os continentais também estão a braços com falta de açúcar.
Cada um faz o que pode...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Incómodos e maçaduras

Incomodam-me as que não reagem.
Porque não dão luta.
Chateiam-me as que fogem de um assunto.
Por ser quase impossível confrontá-las.
Irritam-me as que assobiam para o lado.
Porque nunca é nada com elas.
Cansam-me as que andam à volta e não são capazes de dizer de uma vez ao que vêm.
Porque não olham de frente.
Espantam-me as que atacam violentamente sem olhar às consequências.
Porque não (se) sentem.
Chocam-me as que, um dia depois de atacar, agem como se nada se tivesse passado.
Porque esperam que seja tudo esquecido.
Transtornam-me as que fazem da hipocrisia, religião.
Porque se revelam falsas.
Maçam-me as que não têm, ou fingem não ter opinião.
Porque lhes falta espinha dorsal.
Constrangem-me as que acham que põem e dispõem.
Porque se revelam autistas autoritárias.
Enervam-me as que pensam que se pode viver de aparências.
Porque são ocas.
Entristecem-me as que não sabem ouvir.
Porque são casos perdidos.
Sim, falo de gente.
Essa gente.

domingo, 28 de novembro de 2010

Fracas imagens

Hoje em dia, qualquer caramelo compra uma Reflex digital.

Hoje em dia, qualquer pastel tem uma página ou espaço na net, onde publica as suas fotografias.
Hoje em dia, há tanto pseudo-fotógrafo...
Hoje em dia, encontra-se excelente fotografia na net.
Para lá chegar (à boa fotografia) é preciso no entanto, ver toneladas de merd@.
E tanta, mas tanta gente que acha que percebe alguma coisa da "poda".
Tudo tem direito à vida, não é?
Pois é.
Hoje em dia.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ciclismo nas Cumeeiras

Do not

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Vote. Continue a votar

Um mês e meio depois, nos aviões da Sata Air Açores, ainda incentivam as pessoas: vote!

sábado, 23 de outubro de 2010

Menu sem Táxi

Hoje decidiu-se cá em casa, comer sushi. Da Casa Velha Sushi Bar. Em casa. Encomendado através do “Táxi-Menu”.

Telefonei para a empresa entre o meio-dia e a uma da tarde.

Encomendei sushi para as 8 da noite.

Disseram-me o preço, pediram-me um contacto móvel e a morada de entrega, com pontos de referência.

Tudo explicado, tudo acertado, não pensei mais no assunto.

Aliás, pensei. Pensei qualquer coisa do género “pela taxa de serviço que levam, vale bem a pena, para quem não quer sair de casa, encomendar comida ao Táxi-Menu”.

Não devia ter pensado.

À noite, como não íamos comer apenas sushi, fui para a cozinha. Lula (açoriana) grelhada para o jantar. O sushi estava agendado no meu menu como primeiro prato.

Chegaram as 8 e a lula praticamente pronta a comer.

Passaram 10 minutos e a lula pronta. Passaram 15. E 20.

E às 8h27, mais segundo, menos segundo, o meu “contacto móvel” dá sinal de vida.

Do outro lado, alguém do Táxi Menu a alertar para um “pequeno” atraso inesperado que iria fazer com que o sushi encomendado estivesse em minha casa às... 9 da noite.

Uma hora depois do que tinha ficado combinado ao meio-dia e meia (mais minuto, menos minuto).

Feitas as contas, o sushi iria chegar a minha casa pouco depois da hora da sobremesa.

Resultado: encomenda cancelada.

Ainda perguntei porque é que, apenas 27 minutos depois da hora combinada de entrega do sushi, telefonavam a dizer que havia um “pequeno atraso” de uma hora.

Levei com um pedido de desculpas, muitas desculpas e retorqui qualquer coisa como “isto para a primeira encomenda, é um excelente 'cartão de visita', não haja dúvida”.

Mais pedidos de desculpas.

Não sei a quem se ficou a dever o atraso: se ao Táxi Menu, se à Casa Velha Sushi Bar.

Mas fiquei sem sushi e sem grandes referências, quer do Táxi, quer do restaurante.

É pena.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Desta coisa de se morrer de forma “prolongada”

Nunca percebi esta mania ou pancada (ou panca, para alguns) de se morrer de “doença prolongada”.

Uma pessoa morre com sida, que não é propriamente uma doença, mas sim a falta de defesas para salvaguardar o corpo de uma doenciopédia, morre de ataque cardíaco, enfarte, acidente vascular cerebral, morre de susto, de insuficiência cardíaca, respiratória, cancro, leucemia, neuroblastoma, hepatite alfabeticamente identificável, morre de amor, sufocado no orgulho próprio, morre de tédio, de gripe A,etc., etc., etc..

Por estas e por outras (doenças) não percebo esta mania de, nas televisões, rádios e jornais, dizer-se que fulano morreu de “doença prolongada”.

Actualmente, quem nas televisões, rádios e jornais morre de “doença prolongada”, morre cá para nós, de cancro.

Sendo certo que não conheço estatística que o prove, ponho a mão no fogo (eu não disse de quem seria a mão).

E eu, sinceramente não percebo, que pruridos alguém pode ter, actualmente, num mundo cancerosamente cancerígeno, em dizer que alguém morreu de cancro. Cancro disto, cancro daquilo, espalhado até ali ou até tudo quanto era sítio, cancro fatal. Morreu. De cancro. Morreu.

Esta atitude das televisões, rádios e jornais era até compreensível quando se começou a morrer de cancro. Ou melhor, quando se soube que os cancros existiam e matavam.

Nessa altura, o cancro, quase como a sida (digo eu, pelo menos tenho essa ideia) era sinónimo de uma vida de excessos e asneiras sucessivas.

Mas...hoje em dia, continua a ser essa, a ideia?

Às tantas é. E eu não sei.

Isto de se morrer de “doença prolongada” é quase tão mau como morrer-se de “doença súbita”.

Antes não morrer.