Fui às compras.
Passei na prateleira da fruta e olhei para
as uvas.
sábado, 19 de janeiro de 2013
O poder do capital
Os nomes da educação
Sentado numa esplanada a ler o jornal, dou por mim a ser auditivamente
vandalizado por uma irritante criancinha aos berros e aos saltos e pelas
advertências éticas e morais da sua interveniente ( mas sempre sentada) mamã:
"oh Martim" isto, "oh Martim" aquilo.
domingo, 30 de dezembro de 2012
(deixemo-nos de) Tretas
Chegam-se os fins de ano e chegam-se mais perto as memórias
do que passou desde que cortámos com o ano anterior e dissemos que “agora é que
é” e “é desta que mudo” e “é desta que deixo de…” ou “é agora que começo a…”.
sábado, 27 de outubro de 2012
Do alto do meu metro e trinta e seis
domingo, 24 de junho de 2012
A formiga despropositada
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Debaixo d'água - Arnaldo Antunes
Todo dia, todo dia
Debaixo d'água, protegido, salvo, fora de perigo
Todo dia
(só) Agora - Arnaldo Antunes
sábado, 2 de abril de 2011
Para quem gosta de poesia
Para quem gosta de poesia sem rodeios nem floreados. E não se choca ou indigna com a língua portuguesa.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Doce solidariedade
Como não ponho açúcar no café, estou a juntar pacotinhos dele (açúcar) para levar para o continente, daqui a dias.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Incómodos e maçaduras
Incomodam-me as que não reagem.
Porque não dão luta.
Chateiam-me as que fogem de um assunto.
Por ser quase impossível confrontá-las.
Irritam-me as que assobiam para o lado.
Porque nunca é nada com elas.
Cansam-me as que andam à volta e não são capazes de dizer de uma vez ao que vêm.
Porque não olham de frente.
Espantam-me as que atacam violentamente sem olhar às consequências.
Porque não (se) sentem.
Chocam-me as que, um dia depois de atacar, agem como se nada se tivesse passado.
Porque esperam que seja tudo esquecido.
Transtornam-me as que fazem da hipocrisia, religião.
Porque se revelam falsas.
Maçam-me as que não têm, ou fingem não ter opinião.
Porque lhes falta espinha dorsal.
Constrangem-me as que acham que põem e dispõem.
Porque se revelam autistas autoritárias.
Enervam-me as que pensam que se pode viver de aparências.
Porque são ocas.
Entristecem-me as que não sabem ouvir.
Porque são casos perdidos.
Sim, falo de gente.
Essa gente.
domingo, 28 de novembro de 2010
Fracas imagens
Hoje em dia, qualquer caramelo compra uma Reflex digital.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
Menu sem Táxi
Hoje decidiu-se cá em casa, comer sushi. Da Casa Velha Sushi Bar. Em casa. Encomendado através do “Táxi-Menu”.
Telefonei para a empresa entre o meio-dia e a uma da tarde.
Encomendei sushi para as 8 da noite.
Disseram-me o preço, pediram-me um contacto móvel e a morada de entrega, com pontos de referência.
Tudo explicado, tudo acertado, não pensei mais no assunto.
Aliás, pensei. Pensei qualquer coisa do género “pela taxa de serviço que levam, vale bem a pena, para quem não quer sair de casa, encomendar comida ao Táxi-Menu”.
Não devia ter pensado.
À noite, como não íamos comer apenas sushi, fui para a cozinha. Lula (açoriana) grelhada para o jantar. O sushi estava agendado no meu menu como primeiro prato.
Chegaram as 8 e a lula praticamente pronta a comer.
Passaram 10 minutos e a lula pronta. Passaram 15. E 20.
E às 8h27, mais segundo, menos segundo, o meu “contacto móvel” dá sinal de vida.
Do outro lado, alguém do Táxi Menu a alertar para um “pequeno” atraso inesperado que iria fazer com que o sushi encomendado estivesse em minha casa às... 9 da noite.
Uma hora depois do que tinha ficado combinado ao meio-dia e meia (mais minuto, menos minuto).
Feitas as contas, o sushi iria chegar a minha casa pouco depois da hora da sobremesa.
Resultado: encomenda cancelada.
Ainda perguntei porque é que, apenas 27 minutos depois da hora combinada de entrega do sushi, telefonavam a dizer que havia um “pequeno atraso” de uma hora.
Levei com um pedido de desculpas, muitas desculpas e retorqui qualquer coisa como “isto para a primeira encomenda, é um excelente 'cartão de visita', não haja dúvida”.
Mais pedidos de desculpas.
Não sei a quem se ficou a dever o atraso: se ao Táxi Menu, se à Casa Velha Sushi Bar.
Mas fiquei sem sushi e sem grandes referências, quer do Táxi, quer do restaurante.
É pena.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Desta coisa de se morrer de forma “prolongada”
Nunca percebi esta mania ou pancada (ou panca, para alguns) de se morrer de “doença prolongada”.
Uma pessoa morre com sida, que não é propriamente uma doença, mas sim a falta de defesas para salvaguardar o corpo de uma doenciopédia, morre de ataque cardíaco, enfarte, acidente vascular cerebral, morre de susto, de insuficiência cardíaca, respiratória, cancro, leucemia, neuroblastoma, hepatite alfabeticamente identificável, morre de amor, sufocado no orgulho próprio, morre de tédio, de gripe A,etc., etc., etc..
Por estas e por outras (doenças) não percebo esta mania de, nas televisões, rádios e jornais, dizer-se que fulano morreu de “doença prolongada”.
Actualmente, quem nas televisões, rádios e jornais morre de “doença prolongada”, morre cá para nós, de cancro.
Sendo certo que não conheço estatística que o prove, ponho a mão no fogo (eu não disse de quem seria a mão).
E eu, sinceramente não percebo, que pruridos alguém pode ter, actualmente, num mundo cancerosamente cancerígeno, em dizer que alguém morreu de cancro. Cancro disto, cancro daquilo, espalhado até ali ou até tudo quanto era sítio, cancro fatal. Morreu. De cancro. Morreu.
Esta atitude das televisões, rádios e jornais era até compreensível quando se começou a morrer de cancro. Ou melhor, quando se soube que os cancros existiam e matavam.
Nessa altura, o cancro, quase como a sida (digo eu, pelo menos tenho essa ideia) era sinónimo de uma vida de excessos e asneiras sucessivas.
Mas...hoje em dia, continua a ser essa, a ideia?
Às tantas é. E eu não sei.
Isto de se morrer de “doença prolongada” é quase tão mau como morrer-se de “doença súbita”.
Antes não morrer.
domingo, 10 de outubro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Quereres
Onde queres revólver, sou coqueiro Onde queres família, sou maluco Ah! Bruta flor do querer Onde queres o ato, eu sou o espírito Eu queria querer-te amar o amor Ah! Bruta flor do querer Onde queres comício, flipper-vídeo O quereres e o estares sempre a fim Caetano Veloso
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! Bruta flor, bruta flor
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! Bruta flor, bruta flor
E onde queres romance, rock’n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim
sábado, 18 de setembro de 2010
Deus é “isto”?
Que Deus temos nós, afinal, que não nos acode?
Deus é quem, o quê, serve quem e o quê e quando?
Que Deus é este, que deixa ou faz ou não se importa com os nossos, a família, os amigos, os próximos, os que nos dizem alguma (muita) coisa e que desaparecem assim de repente, como se nada fosse e não nos interessasse?
Quem é o gajo que manda nisto, afinal?
Que Deus é este que se lembra de dizer “ah, tu agora ficas com um cancro (cancro é, de todas as palavras, talvez (de certeza) a mais feia que eu escrevo, leio e ouço, de todas as palavras da língua portuguesa) porque apetece-me dar-t'uma coisa destas, até porque o stock é grande.?
Que raio (sim, claro, a pergunta, a estúpida pergunta que todos nós fazemos em surdina, para ninguém saber ou perceber ou ouvir que também nós pensamos nisto) fazemos nós neste mundo?
“Ah”, diz Deus, desenrasca-t'agora que tens um organismo todo marado.
Mas afinal que merda é esta?
Olha, Deus, tu... sim tu, é contigo que falo (já que dizem que estás em todo o lado), se por acaso leres isto, vai à merda, ok?
Lembro-me e apetece-me dizer-te o que se dizia na minha terra: “vai brincar com a pilinha prá areia”, em vez de brincares com a vida das pessoas.
É que as pessoas, até prova em contrário, só tem uma vida.
Já pensaste, sequer, em desmistificar isto?
Afinal, morrer é o quê?
“Opá, opá”, a sério, toma juízo: deixa de brincar connosco, ok?
Afinal, qual é a tua ideia? Toma juízo, ok?
É que nós não andamos propriamente aqui a brincar com a vida, como se tivéssemos 7.
Julgas tu o quê, afinal?
(desculpa lá, mas tratar-te por “tu” não é (para mim) depreciar-te, ok?)
(poupa-me...)
Parvoniocracia
Sinceramente, eu não consigo perceber a atitude da “massa crítica” deste país.
A sério, não consigo.
Este país está de rastos, literalmente.
O problema está diagnosticado há muitos governos. Não é de agora. A despesa pública é o cancro deste país. Estamos todos de acordo.
Também estaremos (acho eu) de acordo quando se diz que não há governo PS ou PSD que consiga, por mais que “ameace”, reduzir essa despesa pública, portanto, o problema não é da cor: é da incapacidade geral.
Isto dito assim, de forma tão abstracta como esta, até parece inofensivo.
Mas quando me dizem e redizem que a cada hora que passa, o estado gasta 2,5 ME, as coisas passam do abstracto ao ordinário. Ao obsceno.
Governo após governo, seja laranja, seja rosa, seja uma mistura como faz ali na Avenida, o Tomé no seu quiosque (com os gelados), estamos sempre mais ou menos ao nível do quase afogamento.
Admirem-se que, um dia destes, os portugueses, que já foram emigrantes à força toda e que depois se tornaram receptores de imigrantes sem saber como, admirem-se, dizia eu, que este país, assim de repente, este povo, que tem aturado a maluqueira destes dois maiores partidos que têm formado governo, admirem-se, insisto, que o povo, o tal que “é sábio” na altura das eleições mas que no resto do ano é considerado burro, comece a desaparecer e a emigrar para outras paragens.
A sério.
É que “andamos” para aqui ocupados com assuntos menores, como revisões constitucionais com propostas que afinal é melhor não existirem, com seleccionadores temporários para o futebol nacional e para coisas do género e depois passam os dias e andamos para aqui pseudo-ocupados com o acessório, enquanto o essencial nos escapa. Parece propositado. E eu não acho piada nenhuma ao “entretenimento” que a comunicação social nacional tem feito, quando deveria estar a produzir notícias. Notícias a sério. A put@ da sillly season prolongou-se demais, este ano. E parece que continua por aí.
Só espero que não nos tornemos todos silly, acabando por fazer do ano inteiro, uma única season.
(Qualquer dia emigro)



